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19 de Abril: povos indígenas reafirmam que o futuro do clima passa por seus territórios

19 de abril de 2026
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A mensagem do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026 destaca as ameaças aos territórios indígenas e aos povos originários, ao mesmo tempo em que apresenta respostas à crise do clima e ao fortalecimento da democracia. A carta final do ATL é enfática: “não existe política climática sem protagonismo indígena”O dia 19 de abril, celebrado no Brasil como Dia dos Povos Indígenas, vai muito além de uma data simbólica. É um marco de resistência, memória e reivindicação de direitos para cerca de 1,8 milhão de indígenas, pertencentes a  391 povos, segundo o IBGE.
 A data reforça a  visibilidade das lutas históricas dos povos indígenas pela preservação de seus territórios, culturas e modos de vida, além de evidenciar desafios persistentes,  como o desmatamento, a violência e a exclusão social. 
Em um cenário de urgência climática e debates sobre desenvolvimento sustentável, a voz indígena se mostra cada vez mais essencial — não apenas como resistência, mas como caminho concreto para o futuro. Abril Indígena é um mês de mobilização, que tem como marco o  Acampamento Terra Livre 2026 (ATL), realizado no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília. Promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o encontro reuniu milhares de lideranças para denunciar ameaças, propor soluções à crise do clima e fortalecer a luta por territórios e democracia.
O coordenador executivo da APIB, Kleber Karipuna, destacou que o ATL reuniu cerca de seis mil indígenas, com uma agenda voltada às principais demandas dos povos originários. Entre as prioridades, estiveram o fortalecimento de políticas públicas no âmbito do Executivo, com destaque para a demarcação, proteção e gestão dos territórios indígenas. “A pauta das desintrusões e da construção dos planos de gestão territorial foram centrais nas discussões deste acampamento”, afirmou.

“A proteção desses territórios não é apenas uma questão de justiça histórica, mas uma medida essencial para toda a humanidade”, diz Kapiruna – Foto: Leandro Molina

Karipuna, que mora em comunidade do estado do Amapá, também alertou para ameaças aos direitos indígenas, como projetos de mineração em terras indígenas, e destacou avanços nas discussões sobre políticas de gênero, com foco nas mulheres indígenas. Durante o evento, foi apresentada a minuta da política nacional voltada a meninas e mulheres indígenas, considerada um marco após a realização da primeira conferência nacional sobre o tema.
A agenda internacional também teve destaque, especialmente após a Conferência do Clima em Belém, da qual participaram mais de 5 mil indígenas, de 43 países, 900 credenciados na Zona Azul. Kleber Karipuna destacou que a participação indígena na conferência foi histórica, com a apresentação de propostas concretas para o enfrentamento da crise climática, incluindo as chamadas contribuições indígenas para as políticas climáticas nacionais.
De acordo com ele, os territórios indígenas desempenham papel estratégico na preservação ambiental e no equilíbrio climático global. “A proteção desses territórios não é apenas uma questão de justiça histórica, mas uma medida essencial para toda a humanidade”, salientou.

O coordenador executivo da APIB, destacou o avanço das discussões sobre financiamento climático direto a povos indígenas, com ênfase no papel do Fundo Florestas Tropicais para Sempre — Tropical Forest Finance Facility (TFFF), em inglês. Segundo ele, a construção do mecanismo ganhou força a partir do fim de 2024, quando a Aliança Global de Povos Indígenas e Comunidades Locais foi convidada, com apoio do governo brasileiro e do Banco Mundial, a contribuir na definição de como se daria o acesso direto aos recursos.
Um dos principais avanços foi a previsão de destinar, no mínimo, 20% dos recursos do TFFF diretamente a povos indígenas e comunidades locais em países que aderirem ao mecanismo. Ao longo de 2025, representantes indígenas participaram da elaboração de notas técnicas que estruturaram a arquitetura financeira e operacional do fundo, definindo como esses recursos devem ser distribuídos em nível nacional e global.
Karipuna avalia que o modelo representa uma inovação na governança do financiamento climático internacional. Diferentemente de mecanismos já existentes, como o Fundo Verde para o Clima e o Fundo Global para o Meio Ambiente, o TFFF busca incluir povos indígenas não apenas como beneficiários, mas como atores centrais na gestão e implementação dos recursos.
“O mecanismo abre espaço para que organizações indígenas participem diretamente da governança e da execução dos fundos, fortalecendo iniciativas próprias nos territórios”, afirmou. Ele diz que o modelo já começa a influenciar outros fundos internacionais a reverem suas estruturas, ampliando o protagonismo dessas populações na agenda climática global.

A resposta para a crise do clima “somos nós”
A engenheira florestal e liderança indígena Bárbara Tupinikim reforçou que a crise do clima exige respostas integradas dos países e o reconhecimento do papel estratégico dos povos indígenas no enfrentamento dessas mudanças.
Representante da Articulação dos Povos Indígenas de Minas Gerais e Espírito Santo e da articulação de mulheres indígenas, Bárbara destacou a importância de ampliar a participação indígena em espaços internacionais de decisão, como as conferências climáticas e ambientais.
Um dos pontos centrais de sua fala foi a necessidade de dar mais visibilidade à Conferência das Partes da Convenção de Combate à Desertificação, considerada menos conhecida que a COP30, mas cada vez mais relevante diante do avanço da degradação ambiental. Segundo ela, a desertificação já afeta fortemente biomas como a Caatinga e o Cerrado, e pode atingir outras regiões, incluindo a Amazônia

Bárbara Tupinikim reforçou que os povos indígenas oferecem soluções concretas para o enfrentamento da crise do clima – Foto: Leandro Molina

A líder indígena ressaltou que, em 2024, povos originários conquistaram um espaço inédito dentro da convenção, com o reconhecimento de um Caucus Indígena — uma instância formal de articulação e incidência política. A medida permite que representantes indígenas tenham mais estrutura e legitimidade para apresentar propostas diretamente aos países.
Para Bárbara Tupinikim, no entanto, os desafios do clima não podem ser tratados de forma isolada. “As convenções foram separadas, mas os problemas são interligados”, afirmou, defendendo maior articulação entre agendas como clima, biodiversidade e combate à desertificação. Ela alertou que, diante da aceleração das mudanças do clima, é necessário alinhar compromissos internacionais para garantir resultados mais efetivos.
A demarcação e a proteção dos territórios indígenas aparecem, segundo a liderança, como medidas centrais nesse processo. “Se esses pontos não estiverem no centro das políticas, dificilmente os países vão cumprir suas metas climáticas”, disse, ao citar compromissos assumidos pelo Brasil, como o desmatamento zero até 2030.
Bárbara também destacou que os efeitos da crise do clima atingem de forma desigual diferentes grupos sociais, com impacto mais intenso sobre mulheres indígenas, populações tradicionais e comunidades vulneráveis. Segundo ela, esses impactos ampliam desigualdades e podem agravar situações de violência de gênero.
Ao comentar o tema do ATL deste ano — “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós” —, a liderança reforçou que os povos indígenas oferecem soluções concretas para o enfrentamento da crise do clima, baseadas em conhecimentos tradicionais e em uma relação sustentável com a natureza.
“A resposta está nos territórios e nos nossos modos de vida. Não é apenas uma luta dos povos indígenas, mas uma agenda que diz respeito ao futuro de toda a sociedade”, pontuou.

Segundo Alcebias Sapará, povos indígenas têm contribuído com soluções baseadas em seus conhecimentos tradicionais e na observação direta das transformações ambientais em seus territórios – Foto: Leandro Molina

O vice-coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Alcebias Sapará, afirmou que a demarcação de terras indígenas segue como uma das medidas mais urgentes para enfrentar a crise do clima.
Para ele, o principal desafio não está na formulação de novas propostas, mas no cumprimento das metas já estabelecidas. “O que falta é tirar do papel aquilo que já foi acordado pelos países”.
Brasil ainda preserva cerca de 200 línguas indígenas
O Brasil preserva 170 línguas indígenas, além de ao menos 25 registros de línguas pertencentes a povos em isolamento voluntário. A professora Ana Suelly Arruda Cabral, linguista da Universidade de Brasília, destaca que a perda dessas línguas não representa apenas o fim de formas de comunicação, mas a perda irreparável de sistemas de conhecimento, saberes ancestrais e modos próprios de interpretar o mundo.

“Língua e cultura são indissociáveis. Elas moldam o pensamento e orientam o modo de vida de uma comunidade ou de uma nação. No caso dos povos indígenas, a perda da língua implica diretamente na perda de identidade. Isso gera impactos em diferentes dimensões, inclusive na forma como se estabelece a relação com a terra. Quando esse vínculo se enfraquece, abre-se espaço para uma série de consequências, entre elas o agravamento de problemas socioambientais e até mesmo efeitos sobre a crise do clima”, explica.
Nova presidência da Funai e anúncios do Governo Federal
Durante a 22ª edição do ATL, Lúcia Alberta Baré assinou o documento de posse e exercício como presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A solenidade contou com dezenas de autoridades do governo federal, incluindo o ministro do Estado dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e lideranças do movimento indígena, como o Cacique Raoni.
Os atos assinados contemplaram a identificação e delimitação de territórios indígenas em diversos estados como Amazonas, Alagoas, Amapá, Rondônia, Mato Grosso e  Pará. 
O Ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, apresentou um balanço das ações conjuntas, destacando que o governo federal, nos últimos três anos, já garantiu mais de 3,7 milhões de hectares para os povos originários.
Avanços em Segurança Alimentar 
Ao longo da cerimônia, foram detalhadas ações voltadas à soberania dos territórios. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), anunciaram a operacionalização do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em modalidade exclusiva para indígenas. Nos últimos três anos, o governo calcula ter aplicado cerca de R$ 200 milhões na compra e na doação de alimentos de territórios indígenas. O governo estima aumentar o montante para até R$ 250 milhões até o fim do ano.
Programa Nacional de Saneamento Indígena
Na área da saúde, a Secretaria de Saúde Indígena anunciou o lançamento do Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI). O programa visa reverter o cenário atual, no qual 72% dos territórios indígenas não possuem acesso à água potável, estabelecendo metas para a universalização do serviço até 2033.

Assuntos Capa, Nacional
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