Operação desarticulou organização com ramificações em sete estados e movimentação superior a R$ 70 milhões.A Polícia Civil do Amazonas, por meio do 24º Distrito Integrado de Polícia (24º DIP), deflagrou nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (20/02) a Operação Erga Omnes, que resultou na desarticulação de uma organização investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em sete estados do país. A ação contou com apoio das forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí.
Investigação e início das apurações
As investigações tiveram início em agosto do ano passado, segundo o delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram transações de alto valor realizadas por servidores públicos, usadas para movimentar recursos do grupo. Conforme apurado, a colaboração de servidores ocorria por meio de suporte logístico, facilitação de acesso à administração pública e fornecimento de informações sigilosas.
O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, delegado Alessandro Albino, afirmou em coletiva que a operação teve foco no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas envolvendo servidores públicos nos sete estados. “Realizamos uma ação exitosa, com prisões em quase todos os estados, inclusive aqui no Amazonas”, disse Albino.
Mandados, prisões e apreensões
Até o momento foram cumpridos 13 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas, e 24 mandados de busca e apreensão nos estados envolvidos. Durante a ação foram apreendidos veículos, decretadas medidas de bloqueio de contas bancárias e o sequestro de valores pertencentes aos investigados e a empresas fantasmas utilizadas pelo grupo.
As autoridades informaram que as empresas fantasmas atuavam formalmente no segmento de logística para simular atividades lícitas. Segundo os investigadores, essas empresas não compravam insumos nem negociavam com outras empresas do ramo; suas únicas transações financeiras eram com traficantes e servidores públicos.
Estrutura da organização e ramificações interestaduais
Conforme as apurações, as drogas eram adquiridas em Tabatinga e os valores transacionados por meio de empresas fantasmas do Amazonas e do Pará, para posterior distribuição em outros estados. A investigação identificou a participação de agentes públicos vinculados a órgãos das esferas municipal, legislativa, executiva e do Poder Judiciário, que eram usados para manter as atividades ilícitas.
Os dados do Coaf indicam que, em um período de quatro anos, a movimentação financeira atribuída ao grupo alcançou mais de R$ 70 milhões.
Liderança, camuflagem e rede de apoio
Os investigadores identificaram que o líder da organização se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, zona leste de Manaus. A Polícia Civil constatou que igrejas eram utilizadas como forma de camuflagem social.
Outra frente da apuração revelou a participação de ex-assessores que atuavam na área da advocacia e de servidores lotados em setores estratégicos, empregados para facilitar o trânsito da organização em diferentes instituições. Em dados extraídos de um aparelho apreendido, o líder afirmava ter pessoas em todos os órgãos e dizia não temer a prisão por pagar apoiadores, conforme relatou Marcelo Martins.
Marcelo Martins ressaltou o alcance da operação: “O nome da operação, Erga Omnes, não foi escolhido por acaso. Ela atingiu pessoas de todas as esferas. Nosso trabalho foi pautado exclusivamente nas provas constantes nos autos, que fundamentaram os pedidos de prisão dos envolvidos.”
A ação segue em curso enquanto as equipes analisam documentos, transações e dispositivos apreendidos para aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos.
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