Um Show de culinária ancestral marcou a segunda edição do projeto Cozinha Show – Receitas Ancestrais, Saberes e Fazeres de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil na Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar que aconteceu em Campinas (SP) entre os dias 16 e 18 de março.
A oficina da Cozinha Show que aconteceu no último dia do evento apresentou alimentos presentes na cultura alimentar de povos e comunidades tradicionais de diferentes biomas brasileiros, relacionando os ingredientes oriundos dos próprios territórios e as formas de preparo que preservam a sabedoria ancestral.
Do Pará, o cupuaçu, fruta originária da Amazônia, foi destaque na forma de doce e suco produzidos pela coordenadora do Movimento Camponês Popular (MCP) e conselheira estadual de segurança alimentar e nutricional sustentável pelo CONSEANS- PA, Rosane Santos, que compõe a equipe técnica da Cozinha Show. Na oficina, Rosane apresentou as propriedades nutricionais da fruta, rica em fósforo e potássio, e com valor antioxidante. Também destacou a importância das mulheres amazônicas no plantio, na colheita e na preservação da biodiversidade da região.
A Farofa do Cerrado, produto desenvolvido nas comunidades quilombolas da Chapada dos Veadeiros (GO), foi um dos pratos que representaram a região Centro-Oeste. A farofa contém farinha de buriti e poupa de pequi, frutos predominantes do cerrado e é resultado da pesquisa desenvolvida pelo professor do Instituto Federal de Goiás, Diogo de Souza Pinto, Doutor em Ciência e Tecnologia de Alimentos (UFG) e Mestre em Educação (UFRRJ), que coordena projetos de Desenvolvimento de Inovação em produtos do Cerrado com Comunidades Quilombolas. Do cerrado também foi servida a castanha de baru, em forma de paçoca combinada com outras castanhas. Diogo destacou a importância de projetos que unem a pesquisa acadêmica aos saberes tradicionais e defendeu o apoio do poder público a iniciativas que valorizam os conhecimentos tradicionais na produção de alimentos.
No prato principal, o professor do Instituto Federal Goiano, Alcyr Viana, trouxe o macarrão de comitiva com mangará (coração de bananeira). O prato, originalmente feito pelos pantaneiros, consiste em um preparo de macarrão frito com carne de sol. Na adaptação para a Cozinha Show, Viana, que é mestre em Ciências Agrícolas e especialista na área de gastronomia, trouxe uma versão utilizando ingredientes pouco convencionais, como o mangará, que é o coração da bananeira e o palmito extraído do tronco da bananeira, alimentos ricos em vitaminas e sais minerais e com alto valor proteico. Para Alcyr Viana, a pesquisa de novos ingredientes amplia as possibilidades de geração de renda para pequenos produtores, cooperativas e comunidades tradicionais.
Foto: Elio Rizzo/Ascom-MDA
O encerramento da Cozinha Show contou com a participação do secretário de Governança Fundiária Desenvolvimento Territorial e Socioambiental, Moisés Savian, e do secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais, Edmilton Cerqueira que destacou a importância do projeto Cozinha Show na valorização da culinária tradicional e na preservação da cultura alimentar dos PCTs e das práticas agroecológicas ancestrais.
Para a coordenadora do Cozinha Show, a nutricionista e coordenadora de Articulação para o Etnodesenvolvimento Quilombola e de Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e de Povos e Comunidades Tradicionais (SETEQ/MDA), Ariandeny Furtado, a segunda edição do Cozinha Show reforça a importância de dar visibilidade aos saberes e fazeres dos Povos e Comunidades Tradicionais, oportunizando a inclusão produtiva, a geração de renda e a segurança alimentar e nutricional desses segmentos.
A Cozinha Show – Receitas Ancestrais é um projeto realizado pela Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais do MDA (SETEQ/MDA) e pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que teve sua primeira edição na COP 30, em novembro de 2025.
A Equipe da Cozinha Show é formada por chefs de cozinha, acadêmicos(as) pesquisadoras(es), servidoras públicas, nutricionistas, lideranças de movimentos populares e de Povos e Comunidades Tradicionais.
Por: Aline Aguiar, Ascom SETEQ/MDA