Em encontro na refinaria Gabriel Passos, em Minas Gerais, presidente anuncia novos investimentos no refino de combustíveis e critica venda da distribuidora em governo anterior. Lula também desafia Petrobras a formular estratégia de estoques reguladoresO presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na tarde desta sexta-feira, do anúncio de novos investimentos na refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG). Serão aportados R$ 3,8 bilhões para ampliação da produção da unidade. No estado, o plano de investimento da empresa prevê R$ 9 bilhões. Ao conversar com o público presente, no interior da refinaria, Lula criticou a privatização da BR Distribuidora.
“Se a BR Distribuidora estivesse na nossa mão, haveria a garantia de que o preço da Petrobras chegaria na bomba, para o consumidor. O preço do etanol, da gasolina ou do diesel. Agora, ganha o distribuidor [privado] e o consumidor fica chupando o dedo”, disse Lula.
O controle acionário da BR Distribuidora foi vendido em julho de 2019, ao preço de R$ 9,6 bilhões – pouco mais do que os investimentos anunciados nesta sexta-feira pela Petrobras.
Antes de Lula, a venda da distribuidora já havia sido criticada pelo ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira.
“Se não fosse o crime de lesa-pátria da venda da BR Distribuidora, hoje teríamos condições de dar suprimento e adotar uma política de preços mais confortáveis”, disse Silveira. Segundo o ministro, a ausência da empresa exige que o Governo do Brasil endureça mais outros instrumentos, como as fiscalizações e multas sobre a rede privada de distribuidoras, e a retirada de impostos federais sobre o diesel.
O presidente também destacou que os argumentos usados em nome da privatização são falaciosos. Um deles, é de que as empresas públicas do setor de energia não seriam rentáveis. “Se não fosse rentável, empresário algum ia comprar”, disse. Lula afirmou ainda que a Petrobras, no ano passado, liderou a lista de empresas mais rentáveis do Brasil, entre públicas e privadas.
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Ainda durante a cerimônia, Lula afirmou que a Petrobras precisa construir uma política de estoques reguladores, para enfrentar momentos como o atual, em que uma guerra no Oriente Médio tem pressionado os preços internacionais dos combustíveis. Ao comparar o projeto, que sugeriu como desafio para a presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, à reserva de dólares que o Brasil possui, Lula disse: “Soberano é quando você é dono do seu nariz”
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Mais sobre os investimentos na Regap
O anúncio dos investimentos de R$ 9 bilhões da Petrobras no Estado começam pela Regap. No período do atual Plano de Negócios da Petrobras (2026-30), serão investidos R$ 3,8 bilhões e gerados em torno de 8 mil postos de trabalho em ações da Regap. No estado, a previsão é gerar 36 mil empregos, via Petrobras
As iniciativas fortalecem a capacidade de produção de combustíveis da refinaria, promovem a transição energética, geram postos de trabalho e asseguram a confiabilidade operacional da unidade.
Com investimento de R$ 63 milhões, a Regap começa a operar a primeira usina fotovoltaica em uma refinaria da Petrobras, com cerca de 20 mil placas solares em 24 hectares. São 13,3 mil KW de capacidade de geração, o suficiente para atender ao consumo de aproximadamente dez mil residências. A expectativa é de redução de 20% no gasto de energia da refinaria com a entrada em operação da usina.
Com a entrada em operação da usina e a consequente redução do uso de energia elétrica gerada por combustível fóssil, será evitada a emissão de cerca de 8 mil toneladas anuais de CO2. O projeto foi realizado com recursos do Fundo de Descarbonização da Petrobras, criado para apoiar ações de descarbonização das operações da companhia.
Energia limpa — Atualmente, está em processo de implantação na Regap a produção do combustível sustentável de aviação (SAF), visando atender à Lei do Combustível do Futuro e às exigências da aviação civil internacional. Além disso, a refinaria já fez as adequações operacionais necessárias e iniciou a produção de Diesel R (com conteúdo renovável), reforçando o compromisso com combustíveis de menor impacto ambiental.
O objetivo da usina é substituir a queima de gás natural pelo uso de energia limpa, em um modelo que está sendo replicado nas Refinarias Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), e de Paulínia (Replan), em São Paulo, que estão com usinas fotovoltaicas em construção. A Regap, que esteve em processo de desinvestimento no governo passado, passa a receber novos aportes voltados à redução de emissões de CO₂ e à ampliação da produção de combustíveis mais sustentáveis, como o biodiesel R.
Entre as ações, está também o fortalecimento da Petrobras Biocombustível (PBio), com produção de biodiesel 90% renovável, além de iniciativas de modernização e crescimento para a região.
Capacidade de processamento — Com uma capacidade de processamento atual de 166 mil barris de petróleo por dia, a Regap é responsável por, aproximadamente, 9% da produção de derivados da Petrobras. Em 2026, a refinaria já iniciou as obras do projeto de aumento de capacidade em 25 mil barris por dia, com partida prevista para 2027. Ademais, já está em estudo o aumento de capacidade adicional de 59 mil barris por dia, elevando a capacidade atual em 50%. Com esses investimentos, além da promoção de empregos qualificados, serão impulsionadas as cadeias produtivas e de fornecedores.
Ao investir na capacidade produtiva da Regap, a Petrobras também investe em Minas Gerais, ampliando o impacto positivo da refinaria na economia regional. São 16 mil fornecedores cadastrados com 480 contratos ativos e cerca de R$ 28 bilhões contratados.
Com informações do Planalto