O Governo do Brasil começou nesta semana uma megaoperação na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, para retirar garimpeiros que têm promovido a exploração ilegal de ouro dentro do território. O garimpo é o epicentro da megaoperação, contudo toda e qualquer ilicitude será combatida nas incursões.
O processo de desintrusão é conduzido de forma transversal, com participação de diversos órgãos federais, entre eles o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, o Ministério da Defesa, a Abin, a AGU, o Ibama, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional, a Casa Civil e o Censipam. Por razões operacionais, detalhes como duração da ação, efetivo empregado e meios utilizados não são divulgados neste momento. A medida busca preservar a efetividade da operação e a segurança das equipes envolvidas.
A TI abriga uma população de 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuído em sete aldeias. Sua extensão perpassa a área dos municípios de Conquista D’oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. O território foi homologado em 1985 e, nos últimos anos, tem enfrentado conflitos decorrentes da exploração ilegal do garimpo.
O ouro possui alto valor de mercado e seu potencial econômico tem chamado a atenção de invasores que, atentos à valorização, enxergam no metal uma boa saída para o enriquecimento ilícito. Atualmente, a TI Sararé conta com 4.200 hectares atingidos, de um total de 67 mil hectares, conforme dados do Censipam – Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, órgão vinculado à Defesa.
PLANO COMO REFERÊNCIA — O Plano de Desintrusão da Terra Indígena foi elaborado no âmbito do Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas (CIDTI), por um grupo de trabalho específico responsável por coordenar, acompanhar e orientar a execução das ações no território. O documento, mantido sob sigilo por razões operacionais, serve como referência para a retirada de não indígenas e da infraestrutura instalada por eles, garantindo a proteção e preservação do território. Ressalta-se que a elaboração e execução das ações também estão alinhadas à decisão judicial relacionada ao caso. Para manter o fator surpresa da operação, o Plano de Desintrusão não foi anunciado anteriormente, assim como a deflagração do processo de desintrusão nesta quarta-feira (25).Durante os dois primeiros dias de incursões, 51 pessoas foram presas. É neste cenário que as equipes já estão atuando para devolver a posse da terra e o usufruto aos indígenas, protegendo a vida do povo Nambikwara, seus usos, costumes e território.