Cerimônia em Brasília marca 12 de março como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. O Palácio do Planalto recebeu uma instalação em homenagem às mais de 700 mil pessoas mortas pela doença no país durante a pandemiaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira, 11 de maio, o Projeto de Lei nº 2.120/2022, que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data escolhida para homenagear as mais de 700 mil vidas perdidas durante a pandemia, 12 de março, faz referência ao dia de registro da primeira morte por Covid-19 no Brasil. A cerimônia de assinatura, no Palácio do Planalto, em Brasília, também teve a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Durante a sanção, o presidente Lula enfatizou a forma imprudente que foram conduzidas as decisões do governo na época da pandemia. “Só tem sentido a gente criar alguma coisa para lembrar o passado, se a gente conseguir cravar o nome dos responsáveis”, ressaltou Lula.
O presidente ainda relembrou as informações falsas que eram transmitidas na época, de forma a descredibilizar as vacinas, o que acabou gerando ainda mais óbitos.
Nós precisamos ter consciência foram mais mortes do que muitas guerras que aconteceram no mundo”. E completou: “Um dia nós mudaremos esse mundo e a ignorância não vai prevalecer em lugar nenhum. E a justiça será feita”.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a importância da sanção de um Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 é para que esse tema nunca mais seja esquecido pela sociedade brasileira.
Na saúde, a gente fala que a memória tem dois papéis fundamentais. Primeiro, acolher o sofrimento, apoiar o sofrimento, poder lidar com esse sofrimento. Mas, sobretudo, o papel da memória é para que a sociedade como um todo nunca mais permita que se repita o que aconteceu durante a condução da pandemia da Covid-19 no nosso país”, destacou.
A iniciativa reforça a importância da memória coletiva diante dos impactos da pandemia no país e reafirma o compromisso do Governo do Brasil com a defesa da vida, da ciência e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a cerimônia, o Salão Nobre do Palácio do Planalto recebeu a instalação “Cada Nome, Uma Vida”, em homenagem às mais de 700 mil vítimas fatais da Covid-19 no Brasil. A mostra ficará disponível para visitação até 19 de maio.
Sancionei hoje a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, uma data para homenagear as mais de 700 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus em nosso país. O dia escolhido simbolicamente é o 12 de março, referência ao registro da primeira morte no… pic.twitter.com/SstUkbuzZg
— Lula (@LulaOficial) May 11, 2026
HOMENAGENS SIMULTÂNEAS — Como parte das ações em alusão à sanção, serão promovidas homenagens em seis capitais brasileiras de forma simultânea, nesta segunda (11/05), às 19h:
Brasília (DF), no Congresso Nacional;
São Paulo (SP), na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação;
Rio de Janeiro (RJ), no Cristo Redentor e no Centro Cultural do Ministério da Saúde;
Fortaleza (CE), no Complexo Cultural Estação das Artes;
Porto Alegre (RS), no Centro de Oncologia do Hospital Conceição (GHC);
Manaus (AM), no Hospital Beneficente Português.
Em todos os locais, serão projetados os nomes de vítimas da Covid-19 e mensagens em reconhecimento ao SUS e aos profissionais de saúde que estiveram na linha de frente da pandemia. Também será destacado o papel da vacinação, das políticas públicas de saúde e da mobilização coletiva no combate à maior emergência sanitária da história recente do país. A homenagem também integra o processo de reconstrução da memória nacional sobre a pandemia.
MEMORIAL DA PANDEMIA — Em 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde inaugurou o Memorial da Pandemia, no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. A homenagem às vítimas reúne diferentes espaços no memorial: a instalação digital com os nomes das pessoas que morreram por Covid-19, um monumento, uma escultura de Darlan Rosa, criador do personagem Zé Gotinha, e um parquinho temático voltado ao público infantil, com foco na promoção da vacinação. No lançamento do memorial, o Ministério da Saúde também prestou homenagem a jornalistas e veículos que atuaram na cobertura da pandemia, destacando o papel da informação de qualidade no enfrentamento à desinformação, ainda refletida na cobertura vacinal.
CADA NOME, UMA VIDA — O projeto “Cada Nome, Uma Vida” é uma instalação pública dedicada à memória das mais de 700 mil vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil. Concebida originalmente para o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), a obra transforma dados oficiais em presença material, permanente e acessível.
Mais do que um marco comemorativo, é um gesto de reparação simbólica e de valorização da ciência, do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos trabalhadores da saúde que estiveram na linha de frente do enfrentamento à pandemia. Esta é uma réplica da obra original, criada para circular pelo país como parte de uma exposição itinerante.
“Essa é a primeira vez que a gente consegue recuperar as informações de nomes, idades e regiões das vítimas, e trazer essa informação à tona, para assim ficar permanentemente na memória brasileira, para que a gente personifique o que foi esse sofrimento e saber como enfrentá-lo”, comentou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Ao percorrer diferentes cidades, a instalação amplia o acesso à memória coletiva e convida o público à reflexão sobre os impactos da pandemia no Brasil. A obra transforma dados públicos em presença, atualizando continuamente as informações a partir do banco oficial do Ministério da Saúde. Uma memória viva que permanece e se reescreve. Um espaço para reconhecer, refletir e lembrar.
DEFESA DA CIÊNCIA E DA VIDA — Nos últimos três anos, o Governo do Brasil reverteu a queda nas coberturas vacinais, ampliou o acesso à imunização e intensificou o combate à desinformação, com impacto direto na recuperação da confiança nas vacinas no país. Em 2025, o Brasil registrou aumento no número de crianças vacinadas, interrompendo a sequência de quedas observada até 2022 e alcançando o melhor resultado dos últimos nove anos.
“Depois de tudo o que aconteceu na pandemia de Covid-19, o povo brasileiro tem a responsabilidade de reafirmar a vida, reafirmar o SUS, reafirmar a esperança de continuar defendendo a ciência contra o negacionismo, fortalecer a política pública e defender a vida de brasileiros e brasileiras”, destacou o autor do Projeto de Lei nº 2.120/2022, deputado Pedro Uczai, durante cerimônia da sanção.
“E reafirmar o 12 de março, porque essa data não é só para trazer a memória e a história como denúncia. Mas também a memória e a história de tantos brasileiros e brasileiras”, completou.
COVID-19 — A Covid-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo SARS-CoV-2. A pandemia no Brasil teve o estado de emergência sanitária nacional em vigência entre fevereiro de 2020 e maio de 2022.
Atualmente, a vacina integra o calendário nacional de imunização para crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes e idosos a partir de 60 anos. Para maiores de cinco anos, a imunização é indicada apenas a quem ainda não recebeu nenhuma dose. Pessoas com condições clínicas especiais devem receber doses anuais, com intervalo de seis meses para imunocomprometidos.