Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores formalizam a candidatura que será apreciada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
O Brasil deu nesta terça-feira (31/03) um novo passo para a valorização e a preservação do Forró Tradicional, ao entregar à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura da manifestação cultural ao título de Patrimônio Imaterial da Humanidade. A entrega foi formalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, o Forró já havia recebido, em 2021, o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, por meio do registro das Matrizes Tradicionais do Forró. O reconhecimento abrange um “supergênero” musical e de dança, que inclui baião, xote, xaxado e arrasta-pé, fundamentais para a identidade cultural brasileira, com foco na preservação de suas raízes nordestinas.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a entrega representa um marco simbólico e político para o país. “A entrega da candidatura do Forró Tradicional à Unesco é um gesto de reconhecimento, reparação e afirmação da cultura brasileira no cenário internacional. Estamos falando de uma expressão profundamente ligada à formação do nosso povo, à memória das migrações, à força criativa do Nordeste e à capacidade da cultura de manter vivos os vínculos entre território, identidade e pertencimento. É uma entrega emblemática deste governo, que recoloca o patrimônio cultural no centro das políticas públicas e reafirma o compromisso do Brasil com a salvaguarda, a valorização da diversidade e a projeção internacional dos nossos patrimônios vivos”, celebra.
Para o presidente do Iphan, Leandro Grass, a candidatura reflete a consolidação da retomada da política do patrimônio cultural vivida pelo país. “Assim como o reconhecimento internacional dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal, em 2024, e a apresentação da candidatura do Maracatu Nação, em 2025, que também pode receber o mesmo reconhecimento neste ano, trabalhamos para entregar o pedido das Matrizes Tradicionais do Forró à Unesco”, explica.
A cultura brasileira voltou a ser reconhecida e valorizada mundialmente”, destaca o presidente do Iphan
A assessora de assuntos internacionais do Iphan, Juliana Izete Bezerra, explica que a entrega marca o início formal do processo. “O dossiê contém todas as informações históricas e os elementos que demonstram por que o Forró reúne os requisitos necessários para ser declarado Patrimônio da Humanidade, com especial destaque para sua contribuição à promoção do respeito às diferenças culturais. A Unesco inicia agora uma série de processos internos de análise da candidatura, sem um prazo determinado para apreciação. A partir desta entrega, ficamos à disposição para complementar qualquer informação que seja necessária.”
A documentação enviada foi consolidada a partir de um trabalho articulado entre áreas técnicas do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, a Associação Balaio Nordeste e os coordenadores dos Fóruns de Salvaguarda do Forró de diversos estados, inclusive da região Sudeste. O processo contou ainda com o apoio dos secretários de cultura do Consórcio Nordeste, o que assegurou que a candidatura tenha, entre seus componentes, o compromisso expresso de instituições governamentais com a salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró.
Sobre o Forró
O Forró Tradicional, também conhecido como Forró de Raiz, é uma expressão cultural conformada por tradições seculares de música e dança originárias da região Nordeste do país, como baião, xote, xaxado, arrasta-pé, rojão e coco. Conjuntos musicais com sanfona, zabumba e triângulo, denominados trios de forró, além de mestres rabequeiros e bandas de pífano, animam bailes dançantes em estabelecimentos comerciais, festividades, shows e festivais em todo o país ao longo de todo o ano. Muitas canções remetem às experiências migratórias e à saudade da terra de origem.
Gradativamente, os forrós se tornaram espaços de encontro de trabalhadores migrantes nordestinos e seus descendentes, fortalecendo vínculos e a convivência entre gerações, preservando memórias, valorizando a cultura de origem e contribuindo para o combate a estigmas negativos historicamente atribuídos a esses grupos. Ao longo dos anos, o Forró se popularizou, somando adeptos da sociedade presente nesses novos territórios, e novas gerações de forrozeiros de diferentes origens se formaram em todo o país e ao redor do mundo.
Por Rosiene AssunçãoAssessoria de Comunicação Iphan