Evento reuniu lideranças das comunidades ciganas para fortalecimento das demandas históricasA Casa da Igualdade Racial do Rio de Janeiro recebeu, nesta sexta-feira (29), a apresentação do Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos. O evento reuniu lideranças, representantes institucionais e integrantes das comunidades ciganas para um importante momento de escuta, articulação e fortalecimento das demandas históricas dos povos ciganos no Brasil.
Representando o Ministério da Igualdade Racial, a coordenadora-geral de Políticas para Povos Ciganos, Edilma do Nascimento, destacou a importância do encontro como um momento de escuta e articulação direta com as comunidades ciganas do estado.
“Estivemos em diálogo com representantes das comunidades ciganas aqui no Rio de Janeiro, conhecendo suas demandas e compreendendo a necessidade de avançarmos nas políticas públicas e na luta contra o anticiganismo nesse território”, afirmou.
A atividade integrou as ações do Maio Cigano e promoveu um espaço de diálogo sobre os desafios enfrentados pelas comunidades ciganas, além da construção de caminhos para o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao enfrentamento do anticiganismo.
O encerramento das ações do Maio Cigano no município, segundo a coordenadora-geral, reforça o compromisso do MIR em construir, de forma conjunta, novas ações voltadas à promoção de direitos e ao fortalecimento da participação dos povos ciganos.
PNPC – O Plano Nacional de Políticas para Ciganos reafirma o compromisso da pasta com a construção de políticas públicas elaboradas em diálogo direto com os próprios povos ciganos, reconhecendo suas demandas históricas e fortalecendo mecanismos de participação social.
A construção do Plano representa um passo importante para consolidar ações estruturantes voltadas à promoção da igualdade racial, da cidadania e da justiça social para as comunidades ciganas em todo o país.
Representatividade e Identidade Étnica – Durante o encontro, lideranças ciganas de diferentes territórios também trouxeram contribuições fundamentais para a construção de políticas públicas comprometidas com dignidade, reparação histórica e participação social efetiva.
Entre os principais desafios apontados pelas lideranças estão o acesso a direitos básicos, o enfrentamento ao anticiganismo, a garantia de políticas de inclusão social e o reconhecimento das identidades e trajetórias dos povos ciganos no Brasil.
Em sua intervenção, o cigano Yan, da etnia Calon do Rio de Janeiro, integrante de uma família tradicional do Catumbi, destacou a necessidade de reconhecimento dos povos ciganos enquanto povos étnicos historicamente racializados, perseguidos e submetidos ao anticiganismo estrutural. “O que reivindicamos é acesso à saúde, educação, moradia, território, combate ao anticiganismo e participação política legítima”, afirmou.
Da mesma etnia, o cigano Jucélio Dantas chamou atenção para a importância da representação legítima dos povos ciganos nos espaços institucionais e de formulação de políticas públicas. Segundo ele, é fundamental diferenciar identidade étnica cigana de construções folclóricas e espiritualizadas que historicamente contribuíram para a exotificação e o apagamento das comunidades ciganas reais.
Já a ativista cigana Dessire, integrante do coletivo Ciganagens, destacou a importância da escuta e da construção de espaços institucionais voltados às demandas dos povos ciganos no Rio de Janeiro. Em sua fala, ressaltou a relevância da Casa da Igualdade Racial como espaço de acolhimento e diálogo, além de chamar atenção para os impactos do que definiu como “misticismo recreativo” associado à identidade cigana. Para ela, práticas e discursos ligados à ideia de “ciganos espirituais” ou “ciganos de alma” contribuem para a invisibilização das comunidades ciganas reais e reforçam estereótipos que dificultam o reconhecimento das demandas concretas desses povos.