A Embrapa apresentou nesta quinta-feira (14/5) o projeto “Potencializando a Bioeconomia: Inovação e Competitividade nas Cadeias Produtivas da Biodiversidade Amazônica”, iniciativa do programa Euroclima, resultado da cooperação internacional entre o Governo Brasileiro e a União Europeia (UE).
A ação ocorreu em Belém (PA), durante a terceira edição do Bioeconomy Amazon Summit (BAS), evento dedicado ao debate de soluções para a bioeconomia amazônica e que conta com a Embrapa como co-realizadora, por meio do Projeto Sustenta e Inova.
O projeto vai beneficiar iniciativas de bioeconomia protagonizadas por mulheres de populações tradicionais nos estados do Amapá, Pará e Roraima, apoiando a profissionalização de produtos já desenvolvidos em parceria com a Embrapa e ampliando o acesso a novos mercados.
A apresentação foi conduzida pela diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler, com a participação das pesquisadoras Laura Abreu, da Embrapa Amazônia Oriental; Hyana Lima Primo, da Embrapa Roraima; e Monica Rondon, representante da Expertise France, agência financiadora do projeto, integrantes do projeto.
Compromisso global e inovação social
A iniciativa está alinhada às celebrações de 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela ONU, e reforça o compromisso do governo brasileiro e da Embrapa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 5 — Igualdade de Gênero.
Para a diretora da Embrapa, Ana Euler, o projeto representa um avanço na forma de apoiar mulheres que já produzem, inovam e mantêm vivas cadeias da sociobiodiversidade amazônica.
Segundo ela, a partir de 2023, com a gestão presidida por Silvia Massruhá e uma diretoria majoritariamente feminina, a instituição passou a fortalecer de maneira mais estruturada políticas voltadas à inclusão produtiva e ao protagonismo feminino no meio rural.
“Essas mulheres já possuem conhecimento, organização e produtos consolidados. O projeto chega para dar o próximo passo: profissionalizar, agregar valor e conectar essas iniciativas a mercados sustentáveis”, destacou.
Da experiência local ao acesso a mercados
No coração da Amazônia, mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas vêm construindo, ao lado da pesquisa científica da Embrapa, soluções produtivas baseadas no conhecimento tradicional e no uso sustentável da biodiversidade.
Muitas dessas iniciativas já demonstraram viabilidade técnica, social e econômica. O novo projeto atua justamente na etapa seguinte: fortalecer gestão, inovação, adequação sanitária, identidade de marca e estratégias comerciais, entre outras, permitindo que esses produtos alcancem escala e competitividade.
Assim, o saber ancestral, transformado em produto por meio da ciência, passa agora por um processo de consolidação empresarial e inserção em mercados regionais, nacionais e internacionais.
As experiências apresentadas a seguir representam iniciativas que serão diretamente beneficiadas pelo projeto, entrando em uma nova fase de desenvolvimento.
Jujuba e subprodutos de cupuaçu de Roraima
Na comunidade indígena Kauwê, em Pacaraima (RR), mulheres indígenas desenvolveram, com apoio técnico da Embrapa Roraima, a produção artesanal de jujubas de cupuaçu, transformando um saber tradicional em alternativa de geração de renda.
A iniciativa já consolidou um pequeno negócio regional baseado em práticas agroecológicas, reaproveitamento de resíduos e uso de embalagens recicladas.
Com o novo projeto, o grupo receberá apoio para profissionalização da produção, adequação às exigências sanitárias e estruturação de uma agroindústria comunitária, ampliando a capacidade produtiva e o acesso a novos mercados.
Inovação social e farinhas funcionais amazônicas no Pará
Na região Bragantina, nordeste do Pará, comunidades quilombolas desenvolveram, em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental, tecnologias sociais que transformaram a produção artesanal de farinhas amazônicas em uma atividade agroindustrial organizada.
O Projeto Rede Quirera introduziu secadores adaptados, melhorias sanitárias e capacitações em boas práticas, elevando a qualidade dos produtos e ampliando a produção de farinhas funcionais sem glúten de cará, araruta, banana, pupunha e tucumã.
Agora, com o apoio do Euroclima, a iniciativa avança para a etapa de consolidação comercial, com foco em padronização, produção de matéria-prima, identidade de mercado e expansão para novos nichos consumidores, fortalecendo o protagonismo de mulheres e jovens nas comunidades.
Óleo de Pracaxi e Andiroba do Amapá
No arquipélago do Bailique (AP), extratoras ribeirinhas passaram a contar com tecnologia desenvolvida pela Embrapa Amapá para mecanizar a extração do óleo de pracaxi, reduzindo drasticamente o esforço físico e aumentando a produtividade.
A inovação permitiu transformar uma atividade tradicional em uma cadeia produtiva com alto potencial econômico para o mercado cosmético, com prospecção ao uso na indústria de fármacos.
Com o novo projeto, o grupo será apoiado na profissionalização da cadeia, novos produtos, melhoria dos processos produtivos, certificações e estratégias de comercialização, permitindo ampliar renda e garantir sustentabilidade de longo prazo à atividade.
Sobre o projeto
O projeto “Potencializando a Bioeconomia: Inovação e Competitividade nas Cadeias Produtivas da Biodiversidade Amazônica” é resultado do programa Euroclima, parceria entre Brasil e União Europeia, executada pela Embrapa em colaboração com a Expertise France e a Funarbe.
A iniciativa fortalece a bioeconomia amazônica ao impulsionar negócios liderados por mulheres, promovendo inovação, inclusão produtiva e valorização do conhecimento tradicional associado à biodiversidade.