Ministra Esther Dweck apresentou o balanço do Concurso Público Nacional Unificado 2, que mostra novos perfis chegando ao serviço público. Ministra celebrou o avanço na representatividade social e reforçou que avanços acompanham racionalidade e eficiênciaA segunda edição consolidou o Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) como uma política inclusiva, com 40,5% das pessoas aprovadas por meio da política de cotas e forte representatividade regional. A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apresentou nesta terça-feira (17/3) os dados consolidados do CPNU 2, o maior processo seletivo já realizado de forma integrada no Brasil.
Coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o concurso aprovou 3.649 pessoas, oriundas de 578 municípios, de todos os estados do país, ampliando a diversidade regional no serviço público federal.
Esther Dweck destacou que o CPNU faz parte da agenda de transformação do Estado e integra um conjunto de 50 medidas estruturantes adotadas nos últimos anos, que consolida o maior ciclo de reestruturação de carreiras do serviço público federal em um único mandato.
Essa segunda edição consolida o CPNU como uma política pública inclusiva a partir da qual estamos construindo um serviço público com a cara do Brasil”, ressaltou a ministra.
“Desde 2023, já foram implementadas mais de 50 medidas em três grandes eixos: gestão de pessoas, transformação digital e reorganização institucional. No campo da gestão de pessoas, além do CPNU, houve diversas outras iniciativas que integram esse pacote de modernização”, acrescentou a ministra.
A ministra ressaltou que a realização do CPNU integra um esforço de reconstrução das capacidades estatais do Brasil e que foi fundamental para o Brasil voltar a crescer com qualidade. O CPNU compõe um projeto mais amplo de recomposição do quadro de servidores públicos federais após anos de redução de contratações. Entre 2023 e março de 2026, 19.381 pessoas ingressaram no serviço público federal por meio do CPNU 1 e de outros concursos públicos. No mesmo período, 16.546 mil servidores se aposentaram. Para o período de 2026-2030, é esperada a aposentadoria de mais 70 mil pessoas no serviço público federal.
Ao detalhar os impactos fiscais da recomposição de servidores, a ministra explicou que o processo foi realizado sem aumento da despesa com pessoal em relação ao PIB. “Todo esse processo de contratação e reestruturação de carreiras no Executivo federal foi conduzido dentro dos limites fiscais do governo, respeitando o arcabouço vigente”, afirmou a ministra
Entre 2023 e 2026, não houve aumento da despesa com pessoal como proporção do PIB, pelo contrário, há até uma leve redução. Em termos reais, o crescimento médio ficou abaixo de 2,5%, dentro dos limites estabelecidos. Isso mostra que houve, sim, um esforço de recomposição, mas está muito distante de qualquer ideia de ‘inchaço’ ou crescimento descontrolado da máquina pública”, destacou.
Um dos destaques do CPNU 2 é a participação de aprovados da região Nordeste, que apresentou crescimento em relação à primeira edição do concurso, passando de 26% para 29,3%. Além disso, as pessoas aprovadas realizaram provas em 196 cidades entre as 228 que sediaram a aplicação das provas do CPNU 2. Esse dado demonstra a capacidade do modelo de concurso unificado de atrair talentos de diferentes regiões do país, por possibilitar que as pessoas façam a prova perto de onde residem, democratizando o acesso ao serviço público federal.
Mais diversidade e alcance regional
A distribuição regional dos aprovados na segunda edição do CPNU é a seguinte:
Sudeste: 34,5%
Nordeste: 29,3%
Centro-Oeste: 25,3%
Sul: 5,7%
Norte: 5,2%
Um outro resultado muito significativo do CPNU 2 é o avanço na diversidade. Os dados de perfil das pessoas aprovadas indicam que 40,5% das pessoas selecionadas se inscreveram para as vagas reservadas para pessoas negras, indígenas, quilombolas ou pessoas com deficiência. Na primeira edição do concurso, esse percentual era de 33,6%, o que demonstra o avanço na representatividade social dentro do serviço público federal oportunizado pelo CPNU.
Entre o perfil das pessoas aprovadas seguindo as políticas de inclusão no CPNU 2 estão:
A ministra destacou que esse avanço na diversidade oportunizada pelo concurso unificado já está mudando o perfil do serviço público, tornando-o mais diverso e representativo da população brasileira. “A ideia era trazer para dentro do serviço público brasileiro pessoas que representem toda a nossa diversidade, seja regional, seja étnico-racial, seja de gênero, e a gente tem isso como um resultado. Essa segunda edição continua nesse processo de aumentar a diversidade dentro do serviço público brasileiro”, afirmou.
Presença de mulheres avança
O número de mulheres entre as pessoas aprovadas também apresentou avanço. As mulheres são 48,4% dos aprovados no CPNU 2, percentual superior ao registrado na primeira edição do concurso, quando foi de 37%. Entre as pessoas inscritas, a presença feminina foi ainda mais significativa: 60% das candidaturas foram feitas por mulheres, evidenciando o forte interesse feminino pelas carreiras públicas federais.
Durante a coletiva, a ministra Esther Dweck destacou que o CPNU representa uma transformação estrutural na forma de seleção para o serviço público federal. Segundo ela, o novo modelo permite ampliar o acesso às oportunidades públicas, racionalizar custos administrativos e tornar os processos seletivos mais eficientes, transparentes e alinhados às necessidades do Estado brasileiro.
“A nossa ideia, desde o início, foi pensar como reconstruir a capacidade do Estado brasileiro de fazer políticas públicas. E, sem dúvida, uma das coisas mais importantes para isso é ter pessoas no serviço público capazes de formular e implementar essas políticas. A gente pode avançar muito na área digital, estamos trabalhando com inteligência artificial, mas, para fazer políticas públicas, é preciso de pessoas, ou seja, servidoras e servidores que atuem com essa lógica de entregar serviços à população.”
Com oportunidades distribuídas em diferentes áreas estratégicas do Estado, o CPNU 2 marca uma nova etapa no processo de modernização do ingresso no serviço público federal. O modelo integrado amplia o acesso às carreiras públicas, estimula maior diversidade regional e social entre os futuros servidores e contribui para fortalecer a capacidade do Estado brasileiro de responder às demandas da sociedade.
Também participaram da coletiva o secretário-executivo do MGI, Cilair Abreu, a presidente da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Betânia Lemos, e o coordenador-geral de logística do CPNU, Alexandre Retamal.
Comparação entre as duas edições do CPNU
Os dados consolidados da segunda edição mostram a consolidação do CPNU como uma política pública estruturante de acesso ao serviço público federal. A comparação entre as duas edições evidencia uma evolução qualitativa do modelo. Enquanto o CPNU 1 registrou 2.114.145 inscrições, o CPNU 2 contou com 761.545 pessoas inscritas, número ainda expressivo para um processo seletivo nacional e que mantém o concurso entre os maiores do país. Ao mesmo tempo, a segunda edição foi estruturada com 3.652 vagas, em comparação com 6.640 ofertadas na primeira edição, refletindo o ajuste natural do modelo após a experiência inaugural.
O CPNU 2 ampliou a adesão institucional: o número de órgãos participantes passou de 21 para 32, o que demonstra o fortalecimento do formato integrado e a consolidação do concurso como uma nova forma de seleção para o serviço público federal. Isso indica que o modelo vem se expandindo dentro da administração pública, atraindo um número maior de instituições e consolidando um sistema mais coordenado de ingresso no serviço público, capaz de reunir diferentes órgãos em um mesmo processo seletivo nacional.
Os dados também apontam avanços no perfil de participação no concurso. A presença feminina cresceu entre as candidaturas e, principalmente, entre as pessoas aprovadas. No CPNU 1, as mulheres representaram 57% das inscrições, percentual que subiu para 60% no CPNU 2. Entre os aprovados, o avanço foi ainda mais expressivo: a participação feminina passou de 37% na primeira edição para 48,4% na segunda.
A participação de pessoas negras entre as candidaturas também aumentou, passando de 18,8% no CPNU 1 para 27,7% no CPNU 2. O mesmo movimento foi observado nas vagas reservadas por cotas: a participação entre os inscritos subiu de 21,5% para 33,1%, enquanto entre os aprovados passou de 33,6% para 40,5%.
O concurso manteve ainda ampla capilaridade nacional. No CPNU 1, houve inscrições de 5.555 municípios brasileiros. No CPNU 2, as candidaturas vieram de 4.951 cidades, evidenciando o alcance do modelo em praticamente todo o país.
Fortalecimento das capacidades do Estado
Entre os exemplos de provimentos autorizados no período de 2023 até o início de 2026 estão vagas destinadas a órgãos e carreiras estratégicas para o funcionamento do Estado. Foram autorizadas 2.050 vagas para o INSS e médicos peritos, 1.097 para analistas ambientais, 855 para auditores fiscais do trabalho e 1.187 para as polícias Federal e Rodoviária Federal. Também foram autorizadas 715 vagas para a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além de 883 vagas para agências reguladoras.
Os concursos em andamento somam mais 5.649 vagas, sendo 3.649 no CPNU 2 e 2 mil na Polícia Federal.
Transformação do Estado
O CPNU integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à modernização da administração pública federal conduzidas pelo MGI desde 2023. Nesse período, mais de 50 medidas de transformação do Estado foram implementadas nas áreas de gestão de pessoas, digitalização de serviços públicos e organização institucional.
Entre as principais iniciativas estão:
O próprio CPNU e a Lei de Cotas, que integram medidas com foco no aumento da inclusão
ampliação das carreiras transversais no serviço público federal, que passaram de duas para oito
utilização da metodologia de dimensionamento da força de trabalho, já aplicada em 96 órgãos federais
alongamento das carreiras, com 86% delas passando a contar com 20 níveis de progressão
unificação de 578 cargos em 11 estruturas de carreira
transformação/extinção de quase 70 mil cargos considerados obsoletos
ampliação do sistema de avaliação de desempenho para todas as carreiras do Executivo federal (Sidec)
Recomposição salarial com gasto com pessoal estável em 2,6% do PIB
O Projeto de Lei nº 5.874, aprovado este mês no Congresso Nacional e que aguarda a sanção presidencial, também integra esse processo.
Próximos passos
O resultado final do CPNU 2 foi divulgado nesta segunda-feira (16/3) e encerra o ciclo classificatório da segunda edição do concurso. As listas consolidadas já consideram as três rodadas de confirmação de interesse realizadas nas últimas semanas, etapa que permitiu otimizar o preenchimento das vagas imediatas e organizar a formação das listas de espera para futuras convocações. O resultado final com as classificações gerais pode ser consultado no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, no endereço conhecimento.fgv.br/cpnu2 , onde também são publicados editais, listas de classificação e os comunicados oficiais relacionados ao concurso. Também está disponível na área da pessoa candidata, no portal da FGV, a consulta individual ao resultado final.
A partir de agora, o processo entra em uma nova fase, que inclui procedimentos administrativos de convocação, cursos de formação e etapas específicas previstas em alguns cargos, até a efetiva entrada das pessoas aprovadas no serviço público federal.
Após 16/03/2026 – Início dos procedimentos para nomeação e, quando couber, convocação para investigação social e funcional, defesa de memorial, prova oral ou curso de formação.
17/03/2026 a 24/03/2026 – Prazo para preenchimento da Ficha de Informações Pessoais (FIP) referente à investigação social e funcional para o cargo de Analista Técnico de Justiça e Defesa (ATJD).
06/04 a 10/04/2026 – Prazo para envio da documentação referente à defesa de memorial e prova oral.
Todas as informações oficiais sobre o concurso estão disponíveis na página do CPNU 2 em: gov.br/gestao/pt-br/concursonacional
Confira a íntegra da coletiva de balanço do CPNU 2 no canal do MGI no YouTube
Confira a apresentação de balanço do CPNU 2