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Nacional

‘É muito mais barato trabalhar para evitar o desmatamento’, afirma Lula

11 de junho de 2026
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Dados apresentados durante visita ao Observatório Regional Amazônico mostram redução histórica na Amazônia, com queda de 37,5% no desmatamento acumulado e de 61,4% em maio. Sistema do Inpe também aponta continuidade da queda do desmatamento no CerradoO presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta quinta-feira, 11 de junho, o Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília (DF). Na ocasião, foram apresentados os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), que apontam uma expressiva redução do desmatamento na região amazônica e no Cerrado.
De acordo com os resultados do Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia apresentou uma redução no desmatamento de 37,5% no acumulado de 10 meses (agosto de 2025 a maio de 2026) em relação ao mesmo período de 2024/2025, marcando o menor valor da série, iniciada em 2016. Se analisado apenas o mês de maio, a queda foi de 61,4% em relação ao período anterior (25), o que representa o maior recuo da série histórica para o período.
No Cerrado, a redução foi de 8,2% no acumulado de 10 meses (agosto de 2025 a maio de 2026) em comparação com o período de 2024/2025. Em maio, a queda chegou a 12,2% em relação ao mesmo mês do ano passado.

É muito mais barato a gente trabalhar para evitar o desmatamento do que a gente entender que, pela ganância econômica e financeira de um grupo, a gente ter que permitir o desmatamento da forma mais extrema possível. Essa é uma coisa muito importante que nós vamos cumprir”, disse Lula durante o encontro.

O presidente Lula ressaltou a parceria com os municípios no combate ao desmatamento. Para o presidente, as prefeituras passaram a ter responsabilidade direta, com apoio financeiro e participando da estratégia junto com União e estados.
“O resultado é extraordinariamente positivo, numa demonstração de que, se a gente reúne a boa vontade do Governo Federal, dos governos estaduais e dos prefeitos, mais o aparelhamento das instituições que fazem o ICMBio e Ibama, se a gente contratar as pessoas corretas, se a gente se preparar para fazer prevenções, como estamos nos preparando para enfrentar o El Niño, que dizem que vem mais nervoso do que o ano passado, a gente pode ter um efeito muito positivo”, afirmou.
O presidente também destacou que a meta de zerar o desmatamento até 2030 é uma decisão do próprio governo brasileiro. “Isso é uma decisão do nosso governo. É por uma questão de justiça e de participação do Brasil como ajuda ao planeta Terra cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento o máximo possível e provando que o não desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento”, disse Lula.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que os resultados refletem o fortalecimento das ações de fiscalização e monitoramento ambiental. “Esse número aqui, 61,4% de queda de desmatamento em relação a maio do ano passado, é algo realmente histórico, num mês em que o desmatamento sempre aumentava, porque a estação seca na Amazônia estimula o desmatamento”, registrou.
“Estamos trabalhando para termos o menor número final, quando fecharem os dados, no dia 31 de julho, da série dos 12 meses. O menor número da história da Amazônia. Isso será um feito fundamental para o Brasil, que já recuperou a sua credibilidade e que tem atuado de forma intensa no plano internacional”, completou Capobianco.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que os resultados alcançados no combate ao desmatamento são fruto da integração entre ciência, tecnologia e políticas públicas. “A verdade é essa aqui: que são dados científicos, que nós estamos reduzindo em 60% quando comparado com os quatro anos do governo anterior. A excelência do Inpe e o monitoramento de precisão que promovemos são a base que nos permite enxergar a realidade do nosso território”, afirmou a ministra.
Luciana Santos também ressaltou que os dados do Inpe e do sistema Deter são referências internacionais de precisão e verdade científica. “O nosso ministério garante o recurso para o monitoramento, assegura que a agricultura brasileira consiga comprovar a conformidade ambiental necessária para acessar os mais exigentes mercados do mundo. Seguimos juntos com o meio ambiente, levando qualidade de vida à nossa população, porque defender o meio ambiente é defender a vida do povo brasileiro”, disse a ministra.
RETOMADA DE POLÍTICAS PÚBLICAS — André Lima, secretário Extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, fez um balanço das ações do Governo do Brasil para prevenção e controle do desmatamento e dos incêndios.
O governo reinstituiu as comissões de controle e retomou as fases de diversos planos voltados à meta de Desmatamento Zero. A reconstituição da comissão interministerial em 2023 permitiu a criação inédita dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) para todos os biomas e com foco no desmatamento zero.
O país estabeleceu a meta de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 por meio da retomada do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG). O Fundo Amazônia teve sua execução acelerada, aprovando 153 projetos, que alcançam 75% dos municípios da Amazônia Legal.
“Aumentamos aqui em quatro vezes os investimentos do Fundo Amazônia, uma média de R$ 1,3 bilhão por ano, sendo que, historicamente, a gente estava na faixa de R$ 300 milhões e, infelizmente, na gestão anterior foi zero de investimento”, disse André Lima.

FISCALIZAÇÃO — As ações de comando e controle realizadas pelo Ibama e ICMBio resultaram no aumento de 19% dos termos de embargo e 24% de autos de infração, culminando no menor valor de desmatamento já contabilizado pelo sistema PRODES dentro de unidades de conservação da Amazônia.
A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou dezenas de ações. Em junho de 2026, um novo lote de Ação Civil Pública (ACP) cobra R$ 618 milhões de infratores ambientais por danos climáticos.
O combate aos incêndios florestais hoje conta com a força de 240 brigadas federais, compostas por 4.410 brigadistas, somando Ibama e ICMBio, e uma infraestrutura logística ampliada com 19 helicópteros, 18 aviões lança-água e 27 veículos especiais. Além disso, o programa Bolsa Verde foi retomado em 2023, ampliado e hoje atende 72,2 mil famílias.
TERRITÓRIOS — Na área de influência da BR-319 (buffer de 100 km), os alertas de desmatamento caíram 69,7% entre 2022 e 2025. Os 70 municípios prioritários que aderiram ao Programa União com Municípios, com R$ 800 milhões em investimentos, apresentaram uma redução de 65,5% no desmatamento entre 2022 e 2025, um desempenho 31% melhor do que a média de toda a Amazônia em 2025. “Nós estamos investindo R$ 800 milhões no primeiro momento, com recursos do Fundo Amazônia, para desenvolver escritórios de governança ambiental, regularização fundiária e ambiental dos agricultores familiares, para eles poderem entrar na atividade produtiva legalizados e poder receber crédito e outras políticas públicas”, disse o secretário.

OBSERVATÓRIO — O analista técnico do Observatório Regional Amazônico (ORA), Maicon Castro, apresentou o funcionamento da instituição, que monitora a bacia amazônica como um todo. Ele destacou que o grande propósito do Observatório é justamente fornecer as ferramentas necessárias para subsidiar e tornar mais acurada a tomada de decisão por parte dos países.
“A gente não vê fronteiras entre países, a gente praticamente monitora a Amazônia, a bacia amazônica como um todo, e a sua relevância para toda a nossa América Latina e para todo o globo. Os serviços ambientais que a Amazônia presta para o mundo é de fundamental importância. Todos esses dados são públicos, estão no nosso site”, explicou.
O Painel de Recursos Hídricos monitora o nível dos rios, chuvas e vazão por meio de estações. O Painel de Focos de Calor e Área Queimada monitora anomalias térmicas para entender a dinâmica do fogo, principalmente em áreas protegidas.
“A gente também tem o monitoramento de desmatamento na Amazônia. Eles são feitos com os dados de satélites públicos da União Europeia. E a gente consegue também estimar a quantidade de desmatamento que ocorreu na Amazônia como um todo. A Amazônia é um grande motor, praticamente, para a economia da América Latina, da América do Sul como um todo”, afirmou o analista.

Assuntos Capa, Nacional
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