A metodologia de definição dos níveis de manejo adotada no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZarcNM) será usada pela Emater-RS como referência no Programa de Recuperação Socioprodutiva, Ambiental e de Resiliência Climática da Agricultura Familiar Gaúcha, conhecido como Operação Terra Forte . Para embasar a equipe de extensionistas que levam o programa ao campo, a Embrapa promoveu uma capacitação on-line na manhã desta quarta-feira, dia 7.
O treinamento contou com mais de 150 conexões, entre extensionistas acompanhando individualmente de seus computadores e escritórios regionais com mais de um participante assistindo na mesma conexão.
Na abertura da capacitação, o coordenador do programa Terra Forte, Ronaldo Carbonari, apresentou informações sobre a operação, que atenderá 15 mil estabelecimentos de agricultura familiar, em 495 municípios gaúchos, visando a reestruturação após a calamidade climática de 2024 no estado.
Em cada propriedade rural selecionada pelo programa está sendo feito um diagnóstico detalhado por meio de questionário, geolocalização, análise de solo, avaliação física do solo, bioanálise (BioAS) e cálculo do estoque de carbono. Usando a metodologia do ZarcNM, as glebas que trabalham com a produção de grãos estão sendo classificadas quanto ao nível de manejo.
“Estamos usando o conceito dos níveis de manejo do Zarc para termos um parâmetro para evoluir na classificação. Temos a convicção de que a classificação das glebas em níveis de manejo é uma excelente forma de induzir a adoção de boas práticas junto aos produtores”, disse Ronaldo Carbonari.
De acordo com Carbonari, das glebas já diagnosticadas, 1082 trabalham com o cultivo de grãos. Quase três quartos delas foram classificadas como nível de manejo 1. São 785 em NM1, 196 em NM2, 91 em NM3 e 10 em NM4.
“Muitas delas só cultivam soja, mantendo a terra em pousio no restante do ano. Falta diversificação”, avalia Ronaldo Carbonari. A rotação de culturas e a cobertura permanente do solo são alguns dos critérios usados na classificação dos níveis de manejo.
Planos individualizados estão sendo desenvolvidos para as propriedades visando a melhoria dos sistemas produtivos e do manejo do solo. O recurso de R$ 30 mil destinado pelo Terra Forte para cada propriedade é direcionado conforme esse plano.
Capacitação
A capacitação dos técnicos da Emater-RS teve duração de três horas. Os pesquisadores da Embrapa Soja, Henrique Debiasi, Julio Franchini e José Renato Bouças, e Júlio Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, apresentaram os critérios de classificação dos níveis de manejo e mostraram o arcabouço teórico que levou à adoção de seis critérios mensuráveis, reportáveis e verificáveis para definir os níveis de manejo. São eles o tempo sem revolvimento do solo, a cobertura do solo com palhada, a saturação por bases, o teor de cálcio, saturação por alumínio e a diversidade de cultivos.
Há ainda critérios de exclusão, como a não adoção do cultivo em contorno, e de rebaixamento de categoria, como o uso sequencial de leguminosas, por exemplo.
Também foram apresentados resultados de pesquisas realizadas em experimentos nas Unidades da Embrapa e em áreas de produção que serviram para testar e validar os indicadores e para demonstrar a diferença dos níveis de manejo no desempenho da soja em anos com problemas climáticos, demonstrando o impacto dos níveis de manejo na gestão de risco climático.
O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e coordenador da Rede Zarc, Eduardo Monteiro, fechou a programação falando sobre o ZarcNM que começou a ser usado de forma experimental na safra passada na cultura da soja no Paraná e será ampliado na safra 2026/2027 para toda a região Sul e Mato Grosso do Sul (leia mais abaixo).
Ao fim das apresentações, houve um espaço para perguntas e respostas no qual os participantes puderam tirar suas dúvidas sobre a metodologia e classificação dos níveis de manejo.
“Excelente metodologia de nível de manejo. Certamente usaremos essa ferramenta para colocar em prática nas áreas trabalhada na Operação Terra Forte, incentivando os produtores a migrar do NM1 para níveis mais avançados. Buscando sustentabilidade no manejo das culturas, através da diversificação”, escreveu no chat da sala virtual o extensionista da Emater RS de Erechim Cezar Rosa.
ZarcNM
Além de buscar a melhoria do manejo do solo, o incentivo à melhoria dos níveis de manejo nas propriedades é uma forma de reduzir riscos causados por períodos de seca durante a safra. O aumento da segurança ainda pode ser acompanhado de outro incentivo que é a maior subvenção na contratação de seguro rural.
Na safra 2026-2027 o Rio Grande do Sul fará parte da expansão do piloto do Zarc Níveis de Manejo para a cultura da soja. Nesta metodologia do Zarc, talhões em níveis de manejo melhores (classificação de 1 a 4) obtêm maior subsídio na apólice do seguro no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou na última semana uma resolução na qual define que o subsídio será de 20% no NM1, 30% no NM2, 35% no NM3 e 40% no NM4.
Além do Rio Grande do Sul, o piloto do ZarcNM valerá para a cultura da soja em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Paraná e Mato Grosso do Sul também terão, pela primeira vez, o ZarcNM na cultura do milho segunda safra, com a subvenção chegando a 50% no seguro de áreas NM3 e NM4.
Durante a capacitação também foi divulgado o aplicativo Zarc Plantio Certo , disponível gratuitamente para celulares Android e IOS. O aplicativo traz, entre outras informações, as janelas de produção em mais de 50 culturas em cada município brasileiro. As informações também podem ser acessadas na versão web em https://www.plantiocerto.cnptia.embrapa.br/ .