Atividade pedagógica reuniu cerca de 250 estudantes do Ensino Médio em uma jornada de pesquisas, sabores e valorização da cultura amazônica
FOTOS: Euzivaldo Queiroz/ Secretaria de Educação
A Escola Estadual Maria Amélia do Espírito Santo, localizada na zona centro-oeste de Manaus, realizou, nesta sexta-feira (22/05), a 1ª Feira “Saberes e Sabores da Amazônia – Uma jornada pelos frutos da nossa terra”. A atividade, uma homenagem ao Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado na mesma data, reuniu cerca de 250 estudantes do Ensino Médio em uma programação para a valorização das frutas nativas amazônicas.
Idealizada pelo professor de Biologia Gabriel Muca, a feira surgiu após uma atividade realizada em sala de aula com estudantes da 1ª e 2ª série do Ensino Médio. O docente pediu para que os alunos anotassem em um papel os frutos amazônicos que conheciam, e percebeu que muitos tinham mais familiaridade com frutas tradicionalmente comercializadas em supermercados do que com espécies típicas da região amazônica.
FOTO: Euzivaldo Queiroz/ Secretaria de Educação
“Eu sempre busco muito trabalhar temas amazônicos dentro de sala de aula. Participo do Grupo Diversa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde pesquisamos sobre memória biocultural e relacionamos o nosso bioma com nossa construção social na Amazônia. Então, ao perceber que eles não tinham tanto conhecimento sobre frutas nativas, propus com que eles vivenciassem aquilo que é nosso, da nossa terra”, destacou o professor.
A partir disso, as turmas foram divididas em grupos menores, e cada equipe ficou responsável por pesquisar uma fruta amazônica específica. Os estudantes produziram apresentações sobre aspectos econômicos, históricos, sociais e culturais dos frutos, além de prepararem receitas culinárias para compartilhar com os visitantes da feira.
Entre as frutas estudadas estavam buriti, açaí, camu-camu, urucum, bacuri, jenipapo, uxi, tucumã, pupunha, murici, ingá, cupuaçu, cubiu, castanha, biribá, bacaba, guaraná e araçá-boi. Sucos, doces, geleias, recheios e outras preparações foram produzidos pelos próprios alunos e disponibilizados para degustação durante a programação.
FOTOS: Euzivaldo Queiroz/ Secretaria de Educação
Para a estudante Nicole Mourão, de 15 anos, da 1ª série do Ensino Médio, a atividade revelou um universo pouco conhecido pelos próprios alunos. De acordo com a discente, o grupo ficou responsável pelo araçá-boi, fruto que despertou memórias familiares importantes.
“Quando o professor passou a atividade, a gente não tinha noção da quantidade de coisas novas que iria aprender. Quando começamos a pesquisar, percebemos que existia um mundo inteiro para conhecer. Conversei com a minha mãe sobre o araçá-boi, e ela lembrou da infância dela no interior do Acre, porque fazia parte da rotina dela. Foi ela quem sugeriu o suco que apresentamos na feira, e muita gente gostou”, relatou a estudante.
Nicole também destacou experiências pessoais com outros frutos amazônicos. “Eu já tinha tomado suco e sorvete de cupuaçu, mas nunca tinha provado a polpa da fruta in natura”, acrescentou.
E a estudante Lynda Ramos, de 17 anos, da 2ª série do Ensino Médio, ressaltou o espírito coletivo construído entre os estudantes durante a organização da feira. Segundo ela, muitos alunos não conheciam os frutos pesquisados e precisaram colaborar entre si para desenvolver as apresentações.
“Muita gente não conhecia as frutas, não sabia onde encontrar e nem o que preparar. Então, mesmo divididos em grupos, todo mundo acabou ajudando um ao outro. O grupo que fiquei trabalhou com o guaraná e fizemos brigadeiro de guaraná, mas eu também ajudei o pessoal que ficou responsável pelo uxi. Eu nunca tinha visto essa fruta antes. Foi uma atividade muito importante para conhecer mais sobre a nossa própria região”, afirmou a aluna.