O Ministério das Mulheres lançou, na terça-feira (31), no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), no campus João Câmara, o projeto “Meninas de Luta: Voz, Força e Autonomia”, com foco na prevenção e no enfrentamento da violência de gênero. A cerimônia foi marcada também pela assinatura de um documento que formaliza o compromisso do Instituto com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para o Enfrentamento do Feminicídio .
Voltado a estudantes do IFRN e suas mães ou responsáveis, o projeto “Meninas de Luta”, coordenado pelo Ministério das Mulheres, combina formação em defesa pessoal, ações socioeducativas e apoio psicossocial, com o objetivo de promover a autonomia e a segurança de meninas e mulheres.
Meninas de Luta tem um apelo muito forte, pois trabalha na perspectiva da prevenção da violência, promovendo o fortalecimento de meninas e mulheres em nove campi do IFRN” Terlúcia Silva, Diretora da SENEV
Cada dupla selecionada (aluna e mãe ou responsável) recebe uma bolsa mensal no valor de R$ 300. O projeto também busca disseminar informações e fortalecer uma cultura de prevenção à violência nos espaços educacionais, promovendo cidadania e protagonismo feminino.
O “Meninas de Luta: Voz, Força e Autonomia” será desenvolvido em nove campi do IFRN no estado: Currais Novos, João Câmara, Lajes, Mossoró, Pau dos Ferros, Santa Cruz, São Gonçalo do Amarante, São Paulo do Potengi e Zona Norte, com articulação, acompanhamento e monitoramento centralizados no Campus João Câmara, ponto focal da iniciativa.
Representando o Ministério das Mulheres, a diretora da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Terlúcia Silva, destacou o caráter preventivo e o alcance do projeto. “O Meninas de Luta tem um apelo muito forte, pois trabalha na perspectiva da prevenção da violência, promovendo o fortalecimento de meninas e mulheres em nove campi do IFRN”, afirmou.
Segundo a diretora, um dos diferenciais do projeto é a articulação com as famílias das estudantes, que também aprendem a reconhecer e agir diante de situações de violência de forma mais empoderada. “Além da prevenção, há a perspectiva da autodefesa feminina, contribuindo para o fortalecimento das meninas nesse campo também”, explicou.
Fotos: Ibnny e Afonso e Haline Pinheiro
Mobilização e engajamento: “Mulheres Vivas”
A cerimônia de lançamento reuniu autoridades, estudantes e a comunidade acadêmica, em um ambiente marcado por emoção e engajamento. A programação contou com exibição de vídeos com mensagens de mulheres públicas contra o feminicídio — como a ministra do STF, Cármen Lúcia —, além de apresentações artísticas realizadas por estudantes.
Frases como “Viva as Mulheres, Mulheres Vivas!” e “Homem que é bom de verdade tem que ter dignidade” marcaram o evento, que também incluiu a execução do Hino Nacional.
“Tenho medo de sair de casa e ser a próxima vítima”
Aluna Maria Camily Barbosa
Sentir-se segura para andar nas ruas sem medo de ser agredida é o que mais motiva a estudante do IFRN, Maria Camily Barbosa, de 17 anos, a participar do projeto.
“Os casos de feminicídios são assustadores, é de dar medo, medo de sair de casa e ser a próxima vítima, ou então alguém de sua família. O maior proveito que podemos tirar desse curso é nos proteger e proteger as mulheres à nossa volta”, afirmou.
Segundo a jovem, ter a mãe como dupla lhe traz mais conforto e segurança. “Ter minha mãe participando desse projeto é muito importante para mim, porque ela também vai saber o que fazer caso esteja andando sozinha na rua e alguém possa chegar, ela vai saber lidar com isso”, disse.
“Espero conhecer mais os meus direitos”
Para Maria Fernanda Cândida Sousa dos Santos, outra aluna do Instituto, o projeto representa uma oportunidade de fortalecimento pessoal. “Espero sair do projeto me sentindo mais segura e conhecendo mais os meus direitos. Também acho importante a presença familiar, isso me incentiva a continuar no projeto, que é tão essencial para nós, mulheres”, disse.
Fortalecimento de vínculos
De acordo com a coordenadora do projeto no IFRN, Liaria Nunes, a iniciativa aposta no fortalecimento dos vínculos familiares como estratégia de proteção.
“A gente está também fortalecendo vínculos familiares e fazendo com que essa disseminação do conhecimento em torno da violência de gênero seja mais potencializada dentro do Estado”, disse.
A secretária estadual da Mulher, Juventude e Igualdade Racial, Júlia Arruda, enfatizou a importância da articulação institucional e afirmou que a iniciativa materializa essa parceria, com apoio do Ministério das Mulheres. Ela também expressou o desejo de um futuro “em que meninas não precisem se defender”.
A diretora do IFRN no Campus João Câmara, Gilmara Freire ressaltou a estrutura formativa do projeto, que vai além da defesa pessoal e inclui ações voltadas ao empreendedorismo e ao empoderamento feminino.
Adesão ao Pacto Brasil contra o Feminicídio
Já o reitor do IFRN, José Arnóbio, ressaltou a necessidade do engajamento coletivo, especialmente dos homens, na transformação dessa realidade, defendendo a união entre homens e mulheres para enfrentar e zerar os índices de violência.
No final da cerimônia, foi elaborado um documento em que o IFRN se compromete com as diretrizes do Pacto Brasil dos Três Poderes de enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo governo federal em 4 de fevereiro deste ano.
Fotos: Ibnny e Afonso e Haline Pinheiro