DIREITOS HUMANOS

Do trabalho com mariscos à articulação nacional: histórias de Luena Pataxó e Joana Mousinho

Brasileiras foram incluídas entre as 100 Heroínas da FAO em cerimônia em Roma; uma delas atua na representação indígena e a outra tem mais de seis décadas na pesca artesanal.
Do trabalho com mariscos à articulação nacional: histórias de Luena Pataxó e Joana Mousinho
Foto: FAO/Giuseppe Carotenuto 

As trajetórias de Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, e Joana Rodrigues Mousinho foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante uma cerimônia em Roma, na Itália. As duas brasileiras receberam o título de Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural.

A iniciativa reuniu 100 mulheres de diferentes países. Segundo a FAO, as homenageadas têm trajetórias relacionadas à segurança alimentar, à inclusão social, à sustentabilidade ambiental, à geração de renda e à resiliência das comunidades rurais.

Da infância na pesca à representação indígena

Aos 44 anos, Luena Pataxó tem uma história ligada ao mar desde a infância, quando ajudava os pais na limpeza de peixes e mariscos. Na vida adulta, trabalhou como pescadora. Depois de ficar viúva, deixou o barco e passou a catar camarões.

Ao receber a homenagem, Luena disse ter se emocionado por representar pescadores, marisqueiros e o povo Pataxó. “Não é possível falar de alimentos, de produção, sem falar das águas, da pesca artesanal. Somos parte da alimentação saudável na mesa do brasileiro”, afirmou.

Além da atuação na pesca, Luena preside o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul da Bahia. Ela também criou o Grupo de Trabalho Indígena Nacional por meio do Plano Nacional da Pesca Artesanal.

Mais de seis décadas no Canal de Santa Cruz

A outra brasileira homenageada é Joana Mousinho, de 70 anos. Pernambucana, ela trabalha há mais de 60 anos na pesca artesanal no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, em Pernambuco.

Joana foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores e está entre as pioneiras no país a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Sua atuação também se estendeu à organização das trabalhadoras do setor: ela foi uma das fundadoras da Articulação Nacional das Pescadoras.

De acordo com a divulgação, o movimento contribuiu para ampliar a visibilidade e os direitos das mulheres que trabalham na pesca artesanal no Brasil. Em 2024, Joana recebeu o Prêmio Mulheres das Águas, concedido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura na categoria Pesca Artesanal em Águas Marinhas.

Reconhecimento internacional

A homenagem em Roma colocou no mesmo grupo duas brasileiras com experiências distintas dentro da atividade pesqueira. Luena foi destacada por sua atuação junto a pescadores, marisqueiros e comunidades indígenas, enquanto Joana acumula décadas de trabalho na pesca artesanal e participação em entidades de representação das mulheres do setor.

A FAO associou as trajetórias das 100 homenageadas a temas como produção de alimentos, inclusão social, sustentabilidade ambiental, geração de renda e resistência das comunidades rurais. No caso das brasileiras, a seleção também ressaltou a presença feminina em funções de liderança e representação na pesca artesanal.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: FAO/Giuseppe Carotenuto