Comportamento

Tarefas domésticas alcançam 15,9 milhões de crianças e adolescentes, mostra Pnad

Atividades não remuneradas e cuidados de pessoas eram realizados por 42,1% da população de 5 a 17 anos em 2025; entre meninas, proporção foi maior que entre meninos.
Tarefas domésticas alcançam 15,9 milhões de crianças e adolescentes, mostra Pnad
Foto: O adecubo/ AdobeStock

Quase 16 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos realizavam trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidavam de pessoas em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eram 15,9 milhões, o equivalente a 42,1% da população dessa faixa etária.

A participação nessas tarefas foi maior entre as meninas: 47,9% realizavam algum trabalho doméstico não remunerado ou cuidado de pessoas. Entre os meninos, o percentual era de 36,6%. As atividades dentro de casa não são contabilizadas pelo IBGE como trabalho infantil na definição apresentada na pesquisa.

Participação aumenta com a idade

A proporção também variou conforme a faixa etária. Entre crianças de 5 a 13 anos, 32,7% realizavam tarefas domésticas não remuneradas ou cuidavam de pessoas. O percentual subia para 60,7% entre adolescentes de 14 e 15 anos e chegava a 64,6% no grupo de 16 e 17 anos.

Considerando o tempo dedicado a essas atividades, 5,2% das crianças e adolescentes trabalhavam 25 horas ou mais por semana em tarefas domésticas não remuneradas e/ou cuidados de pessoas. A parcela que dedicava pelo menos 15 horas era de 13,6%. Dentro do grupo, 1,9% alcançava uma jornada de 40 horas ou mais.

Relação com atividades econômicas

A pesquisa também comparou a realização de tarefas domésticas com a participação em atividades econômicas. Entre as crianças e adolescentes que exerciam algum trabalho econômico, 65,1% também realizavam tarefas domésticas não remuneradas ou cuidavam de pessoas.

Mesmo entre aqueles que não exerciam atividades econômicas, a participação nas tarefas de casa era significativa: 41,2% ajudavam com serviços domésticos ou cuidados. Os dados, portanto, se referem a uma atividade presente tanto entre crianças e adolescentes que trabalhavam fora ou em atividades econômicas quanto entre os que não estavam nessa condição.

Trabalho infantil atingia 1,499 milhão

Separadamente, a Pnad identificou 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil em 2025. O número correspondia a 4% da população de 5 a 17 anos e representava uma redução de 9,2% em relação a 2024, quando havia 1,65 milhão nessa situação. Na comparação com 2016, a queda foi de 28,6%, ante um contingente de 2,1 milhões naquele ano.

O IBGE considera trabalho infantil qualquer atividade econômica remunerada ou trabalho para autoconsumo realizado por crianças de até 13 anos. Para adolescentes de 14 e 15 anos, só é permitido o trabalho na condição de aprendiz. Aos 16 e 17 anos, a ocupação deve ser formalizada com carteira assinada, sem atividades insalubres, perigosas ou em horário noturno.

Incidência é maior entre adolescentes mais velhos

A proporção de pessoas em situação de trabalho infantil aumentou conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, eram 280 mil, ou 1,1% da população correspondente. Na faixa de 14 e 15 anos, o contingente chegava a 348 mil, equivalentes a 5,9%. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, eram 871 mil, ou 14,5% do grupo.

As jornadas também eram mais extensas entre os adolescentes mais velhos. No grupo de 16 e 17 anos, 49,6% trabalhavam 25 horas ou mais por semana, e 29,6% chegavam a 40 horas ou mais. Entre crianças de 5 a 13 anos, esses percentuais eram de 3,6% e 0,8%, respectivamente. Na faixa de 14 e 15 anos, 29,6% cumpriam ao menos 25 horas semanais e 17,5% alcançavam 40 horas ou mais.

Frequência escolar

A frequência escolar entre quem estava em situação de trabalho infantil ficou abaixo da média da população nas faixas etárias mais altas. Entre as crianças de 5 a 13 anos, 99,7% frequentavam a escola. No grupo de 14 e 15 anos, a taxa era de 95%, ante 98,1% considerando toda a população dessa idade.

Entre adolescentes de 16 e 17 anos submetidos ao trabalho infantil, 79,6% frequentavam a escola. A média para a população total dessa faixa etária era de 89,6%.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: O adecubo/ AdobeStock